terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Um ano 2010 "GRANDE"


O que quer que GRANDE queira dizer, significa algo de muito bom:


Grande porque nos parece mais tempo o bom tempo - andamos sempre a queixar que o tempo passa depressa, então que passe devagar e que seja prazeiroso;

Grande porque cheio de coisas boas - porque as coisas boas nos fazem sentir completos, "inchados" de orgulho e de alegria, comparável ao nascimento de um filho;

Grande tal qual o poeta - "mais alto" e "maior do que os homens", comparável a um belo sonho.

Bom ano para todos. Fica convosco o círculo do amor porque também é GRANDE
Nota final: Não sei o nome do autor da foto

domingo, 15 de novembro de 2009

Tributo ao Sul

Vuelvo Al Sur

Gotan Project

http://www.youtube.com/watch?v=TsgYPpFoASQ&feature=related


Vuelvo al Sur,

como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.

Llevo el Sur,

como un destino del corazon,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.

Sueño el Sur,

inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.

Quiero al Sur,

su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.


Te quiero Sur,
Sur, te quiero.

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.

Quiero al Sur,

su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.

Vuelvo al Sur,
llevo el Sur,
te quiero Sur,

te quiero Sur...





domingo, 20 de setembro de 2009


A caminho de Santiago: a cidade “forte”

Logo pela manhã zarpámos de Sintra com destino a Santiago de Compostela. Com a promessa de que iríamos visitar uma cidade “forte” com uma mística própria para crentes e não crentes. Começamos a subir pela Zona Oeste de Portugal. Pelo lado esquerdo avistámos Óbidos. Passámos pelo Vale de Alcobaça, por Leiria com o seu inconfundível pinhal de D. Dinis e por fim chegámos ao vale da Figueira da Foz. Embora seja verão, aqui a natureza é verdejante, e o rio Mondego diz-nos que estamos no planeta terra incomparavelmente belo como nenhum outro, conhecido pelo ser humano.

Passámos ao largo de Aveiro e rumámos ao Porto. Decidimos: Vamos pelo litoral! E decididos seguimos para Viana do Castelo. À saída do Porto passámos pelo Porto de Leixões e fica no ar o cheiro a peixe, cheiro a lota, cheiro à actividade económica. Em Viana do Castelo fomos visitar a Igreja da St. Luzia. A sua arquitectura tem elementos neo-românicos, bizantinos e Góticos. Fantásticos os vitrais das rosáceas e o tecto celestial com representação da via sacra e da Ascensão de Cristo com os anjos em apoteose aqueles que guardarão e abençoarão a nossa viagem e as nossas vidas.

Está a ser preparada uma cerimónia de casamento. Não resistimos assistir um pouco da cerimónia. Alguém disse-me: “vamos ver pelo menos a entrada da noiva na igreja….”e assim foi.

Momento de saborear a música interpretada por uma soprano “maravilhosa” cantando “Ave Maria” de Schubert. “Gratia plena” pela voz, pelo momento. http://www.youtube.com/watch?v=2uYrmYXsujI. Altura de tirar algumas fotos à foz do Rio Lima e o “complexo montanhoso” considerada pela National Geographic Magazine, como uma das mais belas paisagens do mundo. Na descida ao som de Santana no leitor de CD do carro, o que ocorre é que a envolvente é incrivelmente romântica. Um bosque denso de vegetação se desenvolve desde o alto do Monte de Sta. Luzia até à cidade.

Sentimos fome e fomos comer a Caminha na foz do rio Minho. Outro local com a mágica da foz dos rios, onde os rios desembocam procurando a mistura, outras paragens, outras formas de vida. Parece ter tudo a ver com o que esperamos desta viagem. Ocorre-me um poema que não sendo meu está disponível na internet para todos nos deleitarmos e para sublinhar o momento.

Versos da Foz dos rios

Lanço-me ao rio, sem medo e sem vergonha

Meu sonho é navegar é ser feliz

E se agora falhar tento outra vez

A aventura começa se alguém sonha

O futuro é também o que se quis

Eu sei: há sim e não e talvez

Hei-de chegar à foz deste meu rio

Hei-de encontrar meu leito derradeiro

Hei-de ser eu. Hei-de cumprir-me inteiro

Comemos peixe fresco com um preparado de legumes excelente e batatas a murro inesquecíveis e de vinho bebemos um bom vinho verde da Região do Minho - Alvarinho.

De Caminha rumámos a Santiago de Compostela. Passámos por Valença, Vigo e Pontevedra. Enfim chegámos a Santiago de Compostela.

A primeira visita - e deve ser quanto antes, porque está a começar a missa das 18.00h - é a visita à Igreja Catedral de Santiago de Compostela. Primeira paragem obrigatória não só pela fé do meu companheiro mas pela beleza e pela obra de arte fabulosa que é a Catedral. A missa já iniciou. Entrámos por uma porta lateral. Este percurso embora pequeno deu o mote da nossa visita. Deixarmo-nos embriagar pela magia da cidade.

É uma Catedral em estilo românico segundo os especialistas. Quanto a esta visitante, leiga, fica a arte que entra pelos olhos dentro e pela alma também. A talha dourada, a talha prateada, o brilho ofuscante são ímpares; E o órgão??? Amazing, wunderbar, maravilhoso.

Assistimos à cerimónia. Queríamos abraçar a pedra mas até 2010 está em restauro, não pudémos por isso cumprir o ritual. Às 19.20 h (hora local) tocam os sinos da Catedral de Santiago de Compostela - Património Mundial da Cultura .

Final de tarde uma luminosidade incrível. Há música por todo o lado, musica celta, música medieval, exibições para crianças, exibições circenses para todos. Inacreditável o momento. Consegui verbalizar o momento. Deixei-me conduzir “entre a lucidez e o sonho”.

Li algures que o que motiva os peregrinos actualmente a percorrer um caminho tão longo como o Caminho Francês em direcção a Compostela é procura de si próprio, a arte ou a ideia de chegar a pé ao fim do mundo. Santiago de Compostela é um dos centros de peregrinação mais importantes do mundo, e este facto remonta ao ano 813, ano em que foi encontrado o túmulo do apóstolo São Tiago. A tradição ainda é o que era!!

Passámos a tarde a desfrutar do somatório de ambiências, de cada uma das praças por onde passámos. Como diz o meu companheiro "cada praça tem a sua personalidade e a sua impressão". É este somatório que compõe a mística da cidade de Santiago de Compostela. A dado momento pareceu ouvir cantares alentejanos.

Fomos jantar uma mariscada à moda galega no restaurante “El Rápido” e bebemos vinho alvarinho galego. Como entrada o meu companheiro surpreendeu-me com ostras que passou a ser o nosso logótipo mental, a nossa marca registada, pelo menos assim o pensámos - éramos os únicos no mundo a carregar a “força” das ostras durante vários dias.

Sem mais delongas, após o jantar fui conduzida, à Praça da Catedral - Plaza del Obradoiro para assistir à performance da tuna da Universidade de Santiago do Compostela na noite santiaguense.

Daí fomos dormir ao Hotel Pico Sacro, a dois passos da Praça da Catedral


Segundo dia Domingo. O plano é ir ao Museu da Catedral de Santiago de Compostela e depois assistir à missa das 12.00h. É importante estar no Museu por volta das 10h para se ver tudo e depois estar um pouco antes do meio dia na Igreja. A noite foi atribulada. A gestão das emoções absorvem as nossas energias. Estávamos ensonados mas foi um deleite a visita ao museu.

No piso de entrada começa por apresentar algumas peças encontradas em escavações efectuadas na Catedral e algumas peças retiradas do Pórtico da Glória original. Numa sala contígua pode ser apreciada uma réplica da reconstrução do Coro Pétreo, obra do Mestre Mateo o mesmo que construiu o Pórtico da Glória. De seguida somos subindo e visitámos a sala do capítulo, a biblioteca, a capela das relíquias, a colecção de tapetes; há uma sala só com tapetes de Goya, fomos ao claustro e depois fomos ver o tesouro. A apoteose da visita com peças absolutamente fabulosas em filigrana, em ouro e prata. Fantástico!

Fomos de seguida para a Igreja. Repleta de gente onde já não havia lugares sentados e ainda faltavam 20 minutos para o início da cerimónia. O corredores da igreja entapetada com as mochilas dos peregrinos . Jovens e menos jovens sentados no chão bem como todas as cadeiras da igreja com todos os lugares sentados ocupados. Jamais tinha presenciado uma igreja tão cheia para assistir à missa de Domingo.

Sem ser crente, ainda assim sentia a magia no ar, uma áurea de espiritualismo. A cerimónia começou com a saudação dos grupos de peregrinos e dos peregrinos individuais. Uma lista infindável. A dado momento o Padre diz “Estamos quase a acabar” dito no melhor do seu castelhano. A leitura da liturgia seria feita em duas línguas o castelhano e italiano anunciou o padre, justificado pelo grande número de peregrinos italianos. Mas também lá estavam portugueses, dinamarqueses, franceses e outros, porque a lista era realmente extensa.

A missa do peregrino foi dita em latim.

No fim queremos todos observar de perto a cerimónia do “botafumeiro”. Oito homens - padres talvez - fazem oscilar um enorme incensário com cerca de metro e meio de altura e 50 kg de peso com um complicado sistema de cordas, e roldanas. Começa então um movimento inicialmente lento que vai aumentando de velocidade e a cerca de vinte metros de altura, dizem-me que descreve um arco de 65 metros e rasando o solo a cerca de 70 km/h. É uma cerimónia extraordinária a qual eu não teria assistido se não estivesse acompanhada. Batem-se palmas no fim da missa, excepcional!

Só posso dizer que saí da igreja num turbilhão de emoções, pela beleza do que acabei de presenciar.

Cá fora a música. Sempre a música……..

Decidimos ir tapear antes de fazer as compras de lembranças. Pedimos um prato de queijos e enchidos - especialidades espanholas. Seria interessante captar a imagem da nossa reacção ao ver os pratos que nos serviram. Tínhamos queijo e enchidos para uma semana. Mas iniciámos o repasto “regado” com canha, com a convicção que iríamos dar conta do recado. O sucesso foi relativo.

Chegou a hora da partida para Portugal e fomos à praça da Catedral para sermos abençoados e despedirmo-nos do Apóstolo.

De caminho paramos na Nazaré. Por enquanto só gastronomia mas a próxima expedição será conhecer a Nazaré.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Crónix 1


O Grupo Coral Évora foi à Madeira.

Levámos para a Madeira a divulgação cultural, a divulgação dos pequenos gestos que fazem as diferenças regionais e as diferentes abordagens musicais. Trouxemos da Ilha outras abordagens musicais, outros sabores, outros saberes, outros pequenos gestos associados a uma mundividência diferente. Aquela que se relaciona com a paisagem acidentada com picos diferente da nossa que se relaciona com a planura. O primeiro contacto com a Ilha é o impacto da escarpa e do oceano.

A subida assusta e deslumbra as gentes do sequeiro e da planície. Paragem obrigatória no miradouro do Cabo Girão com 580 metros de altura e considerado o 2º mais alto do mundo.

Primeiro concerto: Cantámos muito. A nossa actuação durou cerca de 40 minutos onde apresentamos as 10 peças seleccionadas para a digressão. Iniciámos com o nosso Hino, peça com poema de Fernanda Seno e música de M M M. Silva, 4 peças de Fernando Lopes Graça e 5 peças de reportório variado Cantámos, em programa extra, o “Bailinho da Madeira” arranjo do maestro madeirense Vítor Costa. Foi um prazer enorme este concerto. Do ponto de vista do cantor, refira-se! Pensámos que também houve prazer nos ouvintes - Caríssimo Público!!

Ficámos a saber que os túneis têm uma denominação regional de “furados”. Mas se sairmos para fora dos “furados” e percorremos as estradas antigas a imagem que temos são "serpentes" que abraçam a Ilha.

A paisagem humana é de um autêntico presépio. As casas vão subindo a montanha, "polvilhadas" aqui e além e o conjunto lembra um presépio.

Não podemos deixar de referir os cicerones. A referência à sua terra foi contagiante durante os dias em que estivemos na Madeira. Bom marketing turístico!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Chamas III




O ondulado dos sons e o ondulado da brisa inspiram a alma errante. É este o seu estado de alma……. apelando para que o ondulado “leia” o seu corpo com caaaaaaalma, como uma onda bailarina, sensual...............

sábado, 18 de julho de 2009

LUA di nha terra

Música do mundo. Neste caso de Cabo-Verde.
Sons, cores, cheiros, dança, muita dança e muita morabeza.
Ôh Pôve sab!
http://www.youtube.com/watch?v=lIU0xRah6nA

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Chamas II

Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer
É um andar solitário entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É um cuidar que ganha em se perder

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata, lealdade

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade
Se tão contrário a si é o mesmo amor

Luís de Camões

Chamas


Aqui onde não há nada ficará uma planta para crescer e dar "frutos". Como seria não ver estas cores? Talvez se sentisse o calor que elas têm. Ou através do cheiro se sentisse que era vermelho cor de fogo, castanho da madeira em brasa.

domingo, 31 de maio de 2009

Música da Turquia - Can Atilla

É um previlégio estar vivo e encontrar "deslumbre" e "viagem" ao som desta música. E como este blog é espaço de diversão fica aqui este "bocado do paraíso". Há mais e tão boa em qualquer escaparate de uma Discoteca póxima se si (agora são discotecas e também livrarias e até bibliocafés).
Nota: Can Atilla compôs “Diriliş” a música oficial para as comemorações do 90º aniversário do Parlamento Turco, neste ano de 2009.
Can Atilla convosco:

domingo, 26 de abril de 2009

"Ai que está tudo tão difícil"

Os ais de todos os dias
Os ais de todas as noites
Ais do fado e do folclore
O ai do ó ai ó linda
Os ais que vêm do peito
Ai pobre dele coitado
Que tão cedo se finou
Os ais que vêm da alma
Ais d'amor e de comédia
Ai pobre da rapariga
Que se deixou enganar
Ai a dor daquela mãe
Os ais que vêm do sexo
Os ais do prazer na cama
Os ais da pobre senhora
Agarrada ao travesseiro
Ai que saudades saudades
Os ais tão cheios de luto
Da viúva inconsolável
Ai pobre daquele velhinho
Ai que saudades menina
Ai a velhice é tão triste
Os ais do rico e do pobre
Ai o espinho da rosa
Os ais do António Nobre
Ais do peito e da poesia e
Os ais doutras coisas mais
Ai a dor que tenho aqui
Ai o gajo também é
Ai a vida que tu levas
Ai tu não faças asneiras
Ai mulher, és o demónio
Ai que terrível tragédia
Ai a culpa é do António
Ai os ais de tanta gente
Ai que já é dia oito
Ai o que vai ser de nós
E os ais dos liriquistas
A chorar compreensão
Ai que vontade de rir
E os ais do D. Dinis
Ai Deus e u é
Triste de quem der um ai
Sem achar eco em ninguém
Os ais da vida e da morte
Ai os ais deste país!

Repovoamento - Soluções possíveis

Associei-me há já alguns dias à rede Twiter a propósito de uma proposta nova para os problemas de desertificação de algumas zonas de Portugal, nomeadamente a região onde habito. Fiquei muito curiosa ao ler um artigo sobre a empresa, que com muita inovação e criatividade "agarra" um nicho de negócio cuja missão é promover a mediação entre famílias ou pessoas que tenham interesse em sair das grandes cidades para meios mais pequenos do interior de Portugal e os responsáveis públicos e privados dessas mesmas zonas/regiões. Espero ter "lido" correctamente a missão desta nova empresa. No entanto, quero dizer que o que me animou foi ver uma luz ao fundo do tunel para os problemas graves do êxodo populacional e correspondente desertificação desta região. Deixei os "ais" para traz e percebi que não estava sozinha a pensar que há que inventar novas formas de povoar ou pegar no velho exemplo do que foi feito no Oeste dos Estados Unidos no final do século XIX . Quis então acompanhar este grupo de três jovens empreendedores e criativos. O meu contributo é divulgar http://novospovoadores.pt/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Portal do tempo

Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias. Aos 20 dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias. Aos 30 anos pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos 40 achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias. Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos.
(Fala de Bartolomeu Sozinho, personagem de Venenos de Deus, Remédios do Diabo de Mia Couto)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Arquitectura 3

Há algum tempo.... já lá vai algum tempo, que o tempo nos consome, mas há sempre um bom tempo, que o novo vento propõe.





Fui à Madeira e é certo que aparece uma nova proposta. São as surpresas destas viagens curtas e boas. O Centro Das Artes Casa Das Mudas, na Calheta, como alguém disse, "o criador desta obra - Paulo David - quis ser o criador das montanhas". A construção, absorvida pela falésia, faz o fascínio desta obra de arte. As propostas de iluminação naturais e artificiais são de um equilíbrio absoluto. Vale a pena visitar este sítio (site).